Felipe Felamingo· Product Manager · Cases

Cartão de Visita NFC

Um produtinho de verdade, construído para o Adapta Summit.

A maioria vai levar cartão de papel pro evento. Eu vou levar um cartão NFC transparente que, no toque, abre meu perfil e um minigame. Este case conta o raciocínio de produto por trás de um build pequeno e real: por que fiz, o que cortei, como montei e o que quero aprender colocando na mão de gente de verdade.

Builder mindsetProduct senseShip rápido
1

Por quê

Num evento de networking, o cartão de papel é o pior lugar pra ser lembrado.

Fiz uma virada de carreira aos 34. Saí da arquitetura pra construir produto, e uma transição dessas se faz aparecendo. Conhecendo gente, mostrando o que estou construindo, criando rede. O Adapta Summit é o palco perfeito pra isso.

Só que num evento assim você troca dezenas de contatos em poucas horas, e o cartão de papel some no bolso. É estático, não mede nada e é esquecido no dia seguinte. O aperto de mão evapora.

Então transformei o cartão no próprio objetivo: puxar mailing, crescer no LinkedIn, conhecer pessoas, fazer networking e mostrar o que ando construindo. Tudo com irreverência e energia, que é do que uma transição de carreira precisa. Um contato que abre no toque, é interativo e gruda na memória faz esse trabalho. E ainda serve de prova de que eu construo, não só falo que sei.

A aposta

1 toque
do aperto de mão ao meu perfil e ao minigame, sem app e sem digitar nada.

Os objetivos do cartão

  • Puxar mailing
  • Crescer no LinkedIn
  • Conhecer pessoas e fazer networking
  • Mostrar o que ando construindo
  • Fazer tudo com irreverência e energia
  • Provar que construo, não só falo
Cartão de papel
estático e esquecível
por quê
  • Some no bolso, acaba, precisa reimprimir.
  • Não atualiza e não mede nada.
  • Igual a todos os outros da mesa.
Toque (NFC)
vivo e memorável
por quê
  • Abre um perfil que eu atualizo quando quiser.
  • Um minigame transforma a troca num momento.
  • Vira assunto: "peraí, como é esse cartão?"
2

O quê

1 pessoa, 1 prazo, 1 evento. Quase tudo teve que ficar de fora.

A restrição já desenhava o produto. Eu sozinho, prazo travado no Adapta e uma ocasião só. Não dava pra sonhar grande. O jogo era escolher o mínimo que gerasse valor de verdade no evento.

O minigame não entrou por enfeite. Ele tem objetivo claro: ser um quebra-gelo divertido que puxa conversa, prende a atenção por alguns segundos e me dá o gancho pra me apresentar, trocar contato e puxar mailing. Num evento cheio, é o que me ajuda a ser lembrado e a me divulgar de um jeito leve, sem parecer que estou me vendendo. Diversão com propósito.

E teve um trabalho de identidade que fiz do zero. Criei minha linguagem visual no Ideogram e apliquei no cartão. Cortei o acrílico numa CNC a laser pra ele sair transparente do jeito que eu queria. O fundo do site que hospeda o perfil eu gerei no Midjourney. Design gráfico, produto e execução na mesma peça.

Cartão NFC transparente de acrílico ao lado do adesivo NFC redondo prata
A peça pronta: acrílico transparente cortado na CNC a laser, identidade criada no Ideogram. O círculo prata é o adesivo NFC, colado atrás, que dispara o toque.

Builder mindset

Com equipe de uma pessoa e prazo curto, escopo vira a decisão mais importante. Cada feature a mais é risco de não entregar nada a tempo.

O núcleo que foi pro ar
  • O toque NFC abrindo o perfil, sem falha
  • Perfil claro com contato salvável e captura de e-mail
  • O minigame como gancho memorável
  • QR como plano B, porque nem todo telefone lê NFC de primeira
3

Como resolver

Cada peça existe por um motivo.

A solução tem camadas. O cartão físico é a porta. O perfil digital é o conteúdo. E dentro dele mora o minigame, que transforma a troca de contato num momento que a pessoa lembra e comenta.

Cada escolha teve um porquê. O perfil ficou direto e com contato salvável porque a meta era conversão, não vitrine. O minigame veio pra gerar memória e conversa, que é justamente o que falta num cartão comum. E a cara irreverente foi uma decisão consciente, porque numa transição você precisa ser lembrado, não passar batido.

Boa parte do trabalho foi de UX, UI e design gráfico. Pensei o fluxo do toque até salvar o contato, desenhei as telas do perfil, criei a identidade e fiz tudo conversar. Parece pouco, mas é onde o produto ganha ou perde a pessoa nos primeiros segundos.

Produto dentro do produto

O cartão é o produto. O minigame é um mini-produto dentro dele. Duas camadas de senso de produto numa peça só, a física e a digital.

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Como estruturar

A arquitetura parece mais complexa do que é.

Tanto o site que hospeda o perfil quanto o minigame parecem coisa de time grande, mas por dentro são simples. O cartão grava uma URL fixa. Essa URL abre um site estático, hospedado de graça no Netlify, que carrega o perfil e o jogo direto no navegador. Sem app, sem instalar nada, sem login. Zero fricção na hora da troca.

O minigame roda inteiro no navegador, então abre no toque como qualquer página. E montei uma integração de e-mail pra capturar quem quer manter contato, alimentando meu mailing sem eu digitar nada.

O trade-off foi consciente. Sem um backend pesado eu não tenho painel de métricas automático, mas pro escopo de um evento isso não fez falta.

Ferramentas usadas

Ideogram · identidade Midjourney · fundo do site CNC a laser · corte no acrílico Netlify · hospedagem

A régua da decisão

Num build de evento, a arquitetura certa é a que entrega no prazo e não quebra na mão de estranho. Simplicidade acima de sofisticação.

A arquitetura, por camadas

Quatro camadas simples empilhadas. Cada uma tem um trabalho só, e é isso que faz o cartão parecer mais complexo do que é.

O que a pessoa toca
Cartão NFC · URL fixaQR · plano B
Onde o perfil mora
Netlify · site estático, grátis
O que abre no navegador · sem app, sem login
Perfil · links + salvar contatoMinigame
O que fica pra mim
Captura de e-mail → mailingMemo com atalho pro WhatsApp
DecisãoEscolhaPor quê
Onde mora o dadoURL fixa no chip, site estáticoeu atualizo o perfil sem regravar o cartão
HospedagemNetlify estático, grátisrápido, sem servidor, custo zero
Minigameroda no navegadorabre no toque, sem instalar nada
Captura de contatointegração de e-mailalimenta o mailing na hora
FallbackQR codenem todo telefone lê NFC de primeira
Acessosem loginfricção zero na troca
5

As features

Cinco features, e nenhuma é enfeite.

Não tem muita feature pra mostrar, e é de propósito. Construí o cartão em 4 horas de mão na massa, depois de 4 horas de concepção e planejamento, então cada peça precisava puxar o próprio peso. Nada de vitrine, nada de "seria legal ter". O que entrou tem função clara na hora da troca de contato.

Vistas de perto, dá pra ver o raciocínio: uma porta de entrada sem fricção, um conteúdo feito pra converter, um gancho pra ser lembrado e uma rede de segurança pra ninguém ficar de fora.

4h + 4h
4 horas de construção, depois de 4 horas de concepção e planejamento. Do zero ao cartão no ar.

Escopo enxuto, de propósito

Poucas features não é falta de ambição. É foco. Em 4 horas de build, cada linha a mais é risco de não entregar nada de pé.

01Toque abre o perfil

A porta de entrada. O chip guarda uma URL fixa: encostou o telefone, abriu meu perfil na hora, sem app e sem digitar.

Por que existe: é o momento mágico do cartão. Se falha aqui, o resto não acontece, então tinha que ser instantâneo.

02Perfil digital

Uma página estática e direta com o essencial: quem sou, meus links e um botão de salvar o contato direto na agenda (vCard).

Por que existe: pensei pra conversão, não pra vitrine. O visitante tem que salvar meu contato em dois toques, sem se perder.

03Minigame

O mini-produto dentro do produto. Roda inteiro no navegador, prende a atenção por alguns segundos e transforma a troca num momento.

Por que existe: é o diferencial e o meu quebra-gelo. Deu mais trabalho que as outras, e é o que puxa conversa, faz a pessoa comentar "peraí, que cartão é esse?" e me ajuda a circular e a me divulgar no evento.

04Captura de e-mail

Uma integração que joga quem deixa o e-mail direto no meu mailing e dispara de volta um memo com um atalho pro meu WhatsApp.

Por que existe: puxar mailing e abrir conversa eram objetivos do cartão. O memo fecha o ciclo: a pessoa sai com um caminho direto pra me chamar.

05QR de fallback

A rede de segurança. Nem todo telefone lê NFC de primeira, então o mesmo perfil abre por um QR impresso no cartão.

Por que existe: num evento eu não posso perder um contato por causa de um chip que não pegou. O QR garante que ninguém fica de fora da conversa.

Como as features se encadeiam · do toque ao meu WhatsApp

Cada feature é um degrau. Juntas, elas levam a pessoa do primeiro toque até uma conversa aberta comigo, sem eu precisar correr atrás.

1
Encosta o celular no cartão
o toque NFC abre o perfil na hora, ou o QR salva se o chip não pegar
2
Explora o perfil e joga o minigame
alguns segundos de atenção e um momento que vira assunto
3
Deixa o e-mail pra manter contato
entra no meu mailing sem eu digitar nada
4
Recebe o memo no e-mail
um resumo do nosso encontro com um botão de ação
5
Clica em "Me chamar agora"
o atalho que vem dentro do memo
6
Cai direto no meu WhatsApp
a conversa começa comigo, com contexto e sem fricção
6

Como vou validar

O Adapta Summit é o meu teste ao vivo.

A essa altura, o cartão já cumpriu boa parte dos objetivos só de existir: mostrar que construo de verdade, com irreverência, e estar no ar pronto pra usar. O que falta é a prova na rua.

Não preciso de landing pra validar demanda. Vou colocar o cartão na mão das pessoas no evento, e cada troca vira um mini-teste: a reação ao toque, as risadas com os perfis que o minigame gera, os cafés e o networking que a conversa rende.

O objetivo não é provar que virou negócio. É aprender, na prática, se a ideia gruda, e trazer as métricas que mostram o resultado.

Smoke test na vida real

Um evento é um laboratório de demanda. Dezenas de interações reais, sem custo de aquisição, em poucas horas.

Plano de amanhã · o que medir ao vivo

As métricas que dizem se o cartão e o minigame funcionam.

A régua é simples e é isso que vou rodar durante o evento. Uso o Netlify Analytics pra coletar parte dos dados, os acessos e as páginas abertas do perfil, e o que ele não pega eu vejo no painel de cada serviço ou anoto no celular na hora do toque.

MétricaO que revelaComo capturar amanhã
Cartão e perfil
Toques no cartãoquanta gente encostou o telefoneacessos à URL no Netlify Analytics
Perfis abertostoques que viraram visita de verdadepáginas abertas no Netlify Analytics
Uso do QRquantos telefones não leram o NFC de primeiracaminho próprio do QR no Netlify Analytics
Contatos salvosintenção real de manter contatoclique no botão de salvar contato (vCard)
E-mails no mailinga lista que sai do eventopainel do serviço de e-mail ou formulário
Cliques no LinkedInquem foi virar conexãolink com UTM pro seu perfil
Minigame
Partidas iniciadaso gancho prendeu ou nãoevento de início dentro do jogo
Partidas concluídasdiversão de verdade contra curiosidade rápidaevento de fim, taxa de conclusão
Tempo no jogoquantos segundos de atenção o cartão comproutempo medido dentro do jogo
No olho, na hora (qualitativo)
"Que cartão é esse?"o cartão virou assunto sozinhoum risquinho no bloco de notas a cada vez
"Quero um desses"sinal de que vira produtoanota quem pediu
Follow-ups combinadosconversa que rendeu próximo passomarca as conversas com desdobramento

Note to self

Antes de sair de casa: deixa o bloco de notas do celular aberto pros três qualitativos de baixo. É lá que eu risco cada "que cartão é esse?", cada "quero um desses" e cada follow-up combinado. Anota na hora, porque a memória do dia some igual cartão de papel.

O que espero aprenderHipóteses a testar
  • O minigame puxa mais conversa que o próprio perfil.
  • O NFC falha em alguns telefones, e o QR segura a troca.
  • O memo com atalho pro WhatsApp é o que mais rende follow-up.
Próximo passoDecisão
  • Se gruda de verdade, virar um produtinho pra outros, com perfil editável e métricas.
  • Se é só um charme pessoal, manter como experimento e reaproveitar o aprendizado.
No ar

O cartão está pronto.

Toque, perfil e minigame já rodando, prontos pra estrear no Adapta Summit.

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Este case mostra a decisão. O cartão mostra a execução. Um build pequeno, real e na rua.