Um produtinho de verdade, construído para o Adapta Summit.
A maioria vai levar cartão de papel pro evento. Eu vou levar um cartão NFC transparente que, no toque, abre meu perfil e um minigame. Este case conta o raciocínio de produto por trás de um build pequeno e real: por que fiz, o que cortei, como montei e o que quero aprender colocando na mão de gente de verdade.
Por quê
Fiz uma virada de carreira aos 34. Saí da arquitetura pra construir produto, e uma transição dessas se faz aparecendo. Conhecendo gente, mostrando o que estou construindo, criando rede. O Adapta Summit é o palco perfeito pra isso.
Só que num evento assim você troca dezenas de contatos em poucas horas, e o cartão de papel some no bolso. É estático, não mede nada e é esquecido no dia seguinte. O aperto de mão evapora.
Então transformei o cartão no próprio objetivo: puxar mailing, crescer no LinkedIn, conhecer pessoas, fazer networking e mostrar o que ando construindo. Tudo com irreverência e energia, que é do que uma transição de carreira precisa. Um contato que abre no toque, é interativo e gruda na memória faz esse trabalho. E ainda serve de prova de que eu construo, não só falo que sei.
A aposta
Os objetivos do cartão
O quê
A restrição já desenhava o produto. Eu sozinho, prazo travado no Adapta e uma ocasião só. Não dava pra sonhar grande. O jogo era escolher o mínimo que gerasse valor de verdade no evento.
O minigame não entrou por enfeite. Ele tem objetivo claro: ser um quebra-gelo divertido que puxa conversa, prende a atenção por alguns segundos e me dá o gancho pra me apresentar, trocar contato e puxar mailing. Num evento cheio, é o que me ajuda a ser lembrado e a me divulgar de um jeito leve, sem parecer que estou me vendendo. Diversão com propósito.
E teve um trabalho de identidade que fiz do zero. Criei minha linguagem visual no Ideogram e apliquei no cartão. Cortei o acrílico numa CNC a laser pra ele sair transparente do jeito que eu queria. O fundo do site que hospeda o perfil eu gerei no Midjourney. Design gráfico, produto e execução na mesma peça.
Builder mindset
Com equipe de uma pessoa e prazo curto, escopo vira a decisão mais importante. Cada feature a mais é risco de não entregar nada a tempo.
Como resolver
A solução tem camadas. O cartão físico é a porta. O perfil digital é o conteúdo. E dentro dele mora o minigame, que transforma a troca de contato num momento que a pessoa lembra e comenta.
Cada escolha teve um porquê. O perfil ficou direto e com contato salvável porque a meta era conversão, não vitrine. O minigame veio pra gerar memória e conversa, que é justamente o que falta num cartão comum. E a cara irreverente foi uma decisão consciente, porque numa transição você precisa ser lembrado, não passar batido.
Boa parte do trabalho foi de UX, UI e design gráfico. Pensei o fluxo do toque até salvar o contato, desenhei as telas do perfil, criei a identidade e fiz tudo conversar. Parece pouco, mas é onde o produto ganha ou perde a pessoa nos primeiros segundos.
Produto dentro do produto
O cartão é o produto. O minigame é um mini-produto dentro dele. Duas camadas de senso de produto numa peça só, a física e a digital.
Como estruturar
Tanto o site que hospeda o perfil quanto o minigame parecem coisa de time grande, mas por dentro são simples. O cartão grava uma URL fixa. Essa URL abre um site estático, hospedado de graça no Netlify, que carrega o perfil e o jogo direto no navegador. Sem app, sem instalar nada, sem login. Zero fricção na hora da troca.
O minigame roda inteiro no navegador, então abre no toque como qualquer página. E montei uma integração de e-mail pra capturar quem quer manter contato, alimentando meu mailing sem eu digitar nada.
O trade-off foi consciente. Sem um backend pesado eu não tenho painel de métricas automático, mas pro escopo de um evento isso não fez falta.
Ferramentas usadas
A régua da decisão
Num build de evento, a arquitetura certa é a que entrega no prazo e não quebra na mão de estranho. Simplicidade acima de sofisticação.
Quatro camadas simples empilhadas. Cada uma tem um trabalho só, e é isso que faz o cartão parecer mais complexo do que é.
| Decisão | Escolha | Por quê |
|---|---|---|
| Onde mora o dado | URL fixa no chip, site estático | eu atualizo o perfil sem regravar o cartão |
| Hospedagem | Netlify estático, grátis | rápido, sem servidor, custo zero |
| Minigame | roda no navegador | abre no toque, sem instalar nada |
| Captura de contato | integração de e-mail | alimenta o mailing na hora |
| Fallback | QR code | nem todo telefone lê NFC de primeira |
| Acesso | sem login | fricção zero na troca |
As features
Não tem muita feature pra mostrar, e é de propósito. Construí o cartão em 4 horas de mão na massa, depois de 4 horas de concepção e planejamento, então cada peça precisava puxar o próprio peso. Nada de vitrine, nada de "seria legal ter". O que entrou tem função clara na hora da troca de contato.
Vistas de perto, dá pra ver o raciocínio: uma porta de entrada sem fricção, um conteúdo feito pra converter, um gancho pra ser lembrado e uma rede de segurança pra ninguém ficar de fora.
Escopo enxuto, de propósito
Poucas features não é falta de ambição. É foco. Em 4 horas de build, cada linha a mais é risco de não entregar nada de pé.
A porta de entrada. O chip guarda uma URL fixa: encostou o telefone, abriu meu perfil na hora, sem app e sem digitar.
Uma página estática e direta com o essencial: quem sou, meus links e um botão de salvar o contato direto na agenda (vCard).
O mini-produto dentro do produto. Roda inteiro no navegador, prende a atenção por alguns segundos e transforma a troca num momento.
Uma integração que joga quem deixa o e-mail direto no meu mailing e dispara de volta um memo com um atalho pro meu WhatsApp.
A rede de segurança. Nem todo telefone lê NFC de primeira, então o mesmo perfil abre por um QR impresso no cartão.
Cada feature é um degrau. Juntas, elas levam a pessoa do primeiro toque até uma conversa aberta comigo, sem eu precisar correr atrás.
Como vou validar
A essa altura, o cartão já cumpriu boa parte dos objetivos só de existir: mostrar que construo de verdade, com irreverência, e estar no ar pronto pra usar. O que falta é a prova na rua.
Não preciso de landing pra validar demanda. Vou colocar o cartão na mão das pessoas no evento, e cada troca vira um mini-teste: a reação ao toque, as risadas com os perfis que o minigame gera, os cafés e o networking que a conversa rende.
O objetivo não é provar que virou negócio. É aprender, na prática, se a ideia gruda, e trazer as métricas que mostram o resultado.
Smoke test na vida real
Um evento é um laboratório de demanda. Dezenas de interações reais, sem custo de aquisição, em poucas horas.
Plano de amanhã · o que medir ao vivo
A régua é simples e é isso que vou rodar durante o evento. Uso o Netlify Analytics pra coletar parte dos dados, os acessos e as páginas abertas do perfil, e o que ele não pega eu vejo no painel de cada serviço ou anoto no celular na hora do toque.
| Métrica | O que revela | Como capturar amanhã |
|---|---|---|
| Cartão e perfil | ||
| Toques no cartão | quanta gente encostou o telefone | acessos à URL no Netlify Analytics |
| Perfis abertos | toques que viraram visita de verdade | páginas abertas no Netlify Analytics |
| Uso do QR | quantos telefones não leram o NFC de primeira | caminho próprio do QR no Netlify Analytics |
| Contatos salvos | intenção real de manter contato | clique no botão de salvar contato (vCard) |
| E-mails no mailing | a lista que sai do evento | painel do serviço de e-mail ou formulário |
| Cliques no LinkedIn | quem foi virar conexão | link com UTM pro seu perfil |
| Minigame | ||
| Partidas iniciadas | o gancho prendeu ou não | evento de início dentro do jogo |
| Partidas concluídas | diversão de verdade contra curiosidade rápida | evento de fim, taxa de conclusão |
| Tempo no jogo | quantos segundos de atenção o cartão comprou | tempo medido dentro do jogo |
| No olho, na hora (qualitativo) | ||
| "Que cartão é esse?" | o cartão virou assunto sozinho | um risquinho no bloco de notas a cada vez |
| "Quero um desses" | sinal de que vira produto | anota quem pediu |
| Follow-ups combinados | conversa que rendeu próximo passo | marca as conversas com desdobramento |
Note to self
Antes de sair de casa: deixa o bloco de notas do celular aberto pros três qualitativos de baixo. É lá que eu risco cada "que cartão é esse?", cada "quero um desses" e cada follow-up combinado. Anota na hora, porque a memória do dia some igual cartão de papel.
Toque, perfil e minigame já rodando, prontos pra estrear no Adapta Summit.
Este case mostra a decisão. O cartão mostra a execução. Um build pequeno, real e na rua.